domingo, 9 de setembro de 2012

BEM VINDOS A BABEL POLÍTICA



BEM VINDOS A BABEL POLÍTICA
(Um manifesto político)

Crente vota em crente!
Católico vota em católico!
Espírita vota em espírita!
Homossexual vota em homossexual!
Negro vota em negro!
Mulher vota em mulher!
E assim por diante

Onde fica a democracia? Onde o poder “emana do povo, pelo povo e para o povo”? Precisamos parar com o egoísmo e exclusivismo e entender que o povo é constituído de negros, brancos, homossexuais, católicos, espíritas, budistas, homens, mulheres, devemos escolher não pela sua convicção religiosa, ou por sua opção sexual ou estilo de vida, mas sim baseados na sua plataforma política, no que ele tem para oferecer, no que ele já fez na sua vida política ou privada.
Vamos deixar de lado o “Voto de Cabresto Evangélico”, sou livre para decidir em quem eu devo ou não votar, decidir não por que o “homem de Deus” disse que tem que ser assim, alias, abrindo um parêntese no texto, pastor que empresta sua voz que deveria ser consagrada a pregação do evangelho para emprestar à candidato político perde totalmente a sua credibilidade comigo, se é que já teve alguma.
Aliás essa argumentação de que “Bem-aventurada a nação cujo Deus é o Senhor!” não tem nada a ver em relação com aquele a quem está no poder, Deus pode ser o Senhor independentemente se o governador for ímpio ou não, a bíblia mostra em Saul o exemplo daquele a quem o povo elege, e Davi o exemplo de quem Deus elege, Romanos diz que “Todas as autoridades são constituídas por Deus”, e além do mais quem escolhe quem é eleito ou não não é somente o voto, mas sim quem os partidos políticos querem, quanto mais votos o partido receber, mais representatividade ele terá.
Vamos deixar de ser ingênuos e vamos procurar ter uma consciência política, não adianta votar no irmãozinho que arrumou a grade ou a rua da igreja e depois deixar ele quatro anos no seu mandato resolvendo os problemas dos membros da igreja sem que ele cobre médicos nos postos de saúde e hospitais, sem providenciar professores para as escolas e creches, asfalto para as ruas que constam como asfaltadas e na verdade são destruidoras de suspensão de carro, vamos acordar.

P.S: Não estou abrindo debate político, apenas me expressando se concorda amém, se não concorda é um direito seu.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Pensando biblicamente sobre o pretenso “casamento homossexual”

(não é homofobia, discriminação e nem tampouco apologia da violência contra os homossexuais, apenas expresão de opnião amparada pela Constituição Federal)

O “pretenso ‘casamento homossexual’” está sendo intensamente debatido no mundo ocidental. Queremos ajudá-lo a pensar de forma bíblica e amorosa. Então, estamos começando uma série de artigos sobre o assunto. Abaixo segue a primeira parte traduzida da pregação de John Piper sobre “‘Digno de honra entre todos seja o matrimônio’ – Pensando biblicamente sobre o pretenso casamento homossexual” pregada no dia 16 de Junho de 2012.

Por John Piper
Seja constante o amor fraternal. Não negligencieis a hospitalidade, pois alguns, praticando-a, sem o saber acolheram anjos. Lembrai-vos dos encarcerados, como se presos com eles; dos que sofrem maus tratos, como se, com efeito, vós mesmos em pessoa fôsseis os maltratados. Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros. Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei. Assim, afirmemos confiantemente: O Senhor é o meu auxílio, não temerei; que me poderá fazer o homem? (Hebreus 13:1-6)
A mensagem de hoje é construída em torno de oito pontos projetados para dar uma visão bíblica do casamento em relação à homossexualidade, e em relação à Emenda sobre Casamento proposta em Minessota. Eu pedi para lerem Hebreus 13:1-6 não porque darei uma exposição do texto, mas porque quero enfatizar aquela frase do versículo 4: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio”. É isso que desejo progredir para a glória de Deus e para sua orientação e seu bem.

1. O casamento foi criado e definido por Deus nas Escrituras como uma união sexual e pactual entre um homem e uma mulher em uma aliança vitalícia e exclusiva entre eles, como marido e mulher, com o intuito de revelar o relacionamento pactual de Cristo com Sua Igreja, comprada por Seu sangue.

Isso é mais claramente visto em quatro passagens onde estas verdades são tecidas em conjunto.

1. Gênesis 1:27, 28

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra… (Gênesis 1:27, 28)

2. Gênesis 2:23, 24

Então, Deus liga seu projeto de masculinidade e feminilidade com o casamento em Gênesis 2:23, 24. Quando a mulher é criada do lado do homem, este exclama: “Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada. Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.”
Em outras palavras, Deus criou a humanidade macho e fêmea para que houvesse uma união sexual de uma só carne e um apego pactual com o intuito de multiplicar a raça humana, e mostrar a aliança de Deus com seu povo, e finalmente a alinça de Cristo com sua Igreja.

3. Mateus 19:4-6

Surpreendentemente, Jesus pegou essa relação entre criação e casamento e aliança vitalícia, tecendo juntos exatamente esses dois textos de Gênesis. Mateus 19:4-6:
“Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher [Gênesis 1:27] e que disse [citando Gênesis 2:24]: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”
E em nossa situação cultural, as palavras “não separe o homem o homem e a mulher que Deus ajuntou” tem um significado muito maior do que qualquer um pensaria que tivesse.

4. Efésios 5:24-32

Mais um texto sobre o sentido do casamento faz a distinção entre homem e mulher – esposo e esposa –como retrato pactualmente significativo de Cristo e da Igreja. Efésios 5:24-32:
“Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido. Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, [...] Eis por que [citando Gênesis 2:24] deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja.”
Em outras palavras, desde o princípio houve um significado profundo e misterioso do casamento. E Paulo agora revela este mistério. E este o é: Deus fez o ser humano macho e fêmea com suas naturezas distintas de masculinidade e feminilidade e com papeis distintos no casamento para que no casamento, como marido e mulher, eles pudessem exibir Cristo a Igreja.
Os que significa que os papéis básico de um esposo e esposa não são intercambiáveis.  Marido exibe o amor sacrificial da liderança de Cristo  e a esposa exibe o papel submisso do corpo de Cristo. O mistério do casamento é que Deus tem essa exibição dupla (do marido e da mulher) em mente quando Ele criou a humanidade como macho e fêmea. Portanto, a realidade mais profunda do universo subjaz o casamento como uma união pactual entre um homem e uma mulher.

2. Não há algo como o pretenso “casamento do mesmo sexo”, e não seria sábio chamá-lo assim.

O ponto aqui não é apenas que o assim chamado “casamento homossexual” não deva existir, mas que ele não existe e não pode existir. Aqueles que acreditam que Deus nos falou verdadeiramente na Bíblia não devem ceder dizendo que a parceria comprometida e vitalícia de relações sexuais entre dois homens ou duas mulheres seja um casamento. Não é. Deus criou e definiu o casamento. E o que Ele uniu nessa criação e nessa definição não pode ser separado, e ainda chama-lo de casamento aos olhos de Deus.

3. O desejo e a orientação homossexuais são partes da nossa sexualidade debilitada e desordenada, devido a sujeição à futilidade que Deus impôs, por causa do pecado humano.

Em Gêneses 3, nós lemos sobre um momento catastrófico quando o primeiro homem e a primeira mulher se rebelam contra Deus. Os efeitos neles e no mundo são descritos nos capítulos 3 e 4, e ilustrados na história repleta de pecado e morte do Velho Testamento – na verdade, a história do mundo.
O apóstolo Paulo sumariza em Romanos 8:20-21 desta forma:
Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.
E nós sabemos que parte da criação que foi sujeita à morte e à futilidade foram nossos próprios corpos – e ele enfatiza, sim, os corpos dos redimidos. “E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo.” (Romanos 8:23)
Eu estou argumentando que o desejo e a orientação para o mesmo sexo estão nesta categoria de gemido – a redenção dos nossos corpos. O que significa que eles estão na mesma categoria com todos os tipos de desordens corporais, mentais e emocionais. Se tentássemos fazer uma lista dos tipos de debilidade emocional, mental e físico da humanidade a lista seria interminável. Todos nós somos debilitados e desordenados de formas diferentes. Todos vocês possuem inclinações para desejarem coisas em graus diferentes do que você deveria. Todos nós somos desordenados em nossas emoções, mentes e corpos.
Este é um chamado para fazermos distinções cuidadosas a fim de não ferirmos as pessoas – ou a si mesmo – desnecessariamente. Todas as nossas desordens – todas as nossas debilidades – estão enraizadas no pecado – no pecado original e em nossa natureza pecaminosa. Seria correto afirmar que desejos homossexuais são pecaminosos no sentido de que são desordenados pelo pecado e contrariam a vontade revelada de Deus. Mas o fato do desejo pecaminoso ser causado pelo pecado e enraizado no pecado não o torna igual a pecar. O pecado acontece quando a rebelião contra Deus se expressa através de nossas desordens.

7. Decidir que ações se tornarão legais ou ilegais através do direito civil é uma atividade moral que visa o bem público e informada pela cosmovisão de cada participante.

Foi pedido aos cidadãos de Minnesota* neste mês de novembro que votassem sim ou não sobre esta questão: “Deve a Constituição de Minnesota ser alterada para prever que apenas a união de um homem com uma mulher é válida ou reconhecida como um casamento em Minnesota?” Um voto em branco é um voto “não”. Se aprovada, a seção 13 será acrescentada ao Artigo XIII da Constituição Estadual que diz: “Apenas uma união de um homem com uma mulher é válida ou reconhecida como um casamento em Minnesota”.
Como cidadãos cristãos devem decidir quais de seus pontos de vista devem legislar? Que convicções morais os cristãos devem buscar que se tornem requisitos legais? Os cristãos acreditam que é imoral cobiçar e roubar. Mas nós procuramos aprovar leis contra o roubo, e não contra a cobiça. Um dos princípios em ação aqui parece ser: a conexão da cobiça com os danos ao bem público não é suficientemente clara. Sem dúvida, há uma conexão. Deus pode vê-la e o bem público, acreditamos, seria aprimorado se a cobiça fosse superada. Mas seres humanos finitos não podem ver com clareza suficiente afim de regular a cobiçar com leis e penalidades. É por isso que temos que deixar centenas de atos imorais para Jesus examinar quando Ele vier.
As leis existem para preservar e melhorar o bem público. Isso significa que todas as leis são baseadas em alguma concepção do que é bom para nós; o que significa que toda a legislação e todas as votações são uma atividade moral. Isso é baseado em escolhas sobre o que é bom para o público. E essas escolhas são sempre formadas por uma cosmovisão. E nesta cosmovisão (quer consciente ou não) há visões da realidade última que determinam o que uma pessoa pensa o que é o bem público.
Isso significa que toda legislação é uma legislação de moralidade. O entendimento de alguém do que é bom — o que é moral — ganha as mentes da maioria e acaba vencendo. A pergunta é: Quais ações ferem tanto ou melhoram tanto o bem comum que devam ser proibidas ou exigidas por lei?
Aqui estão alguns pensamentos para ajudá-lo com essa pergunta.
1. A emenda constitucional deve tratar assuntos com consequências muito importantes. Para dar uma ideia do que tem sido considerada como uma inclusão digna na constituição estadual, vejamos a Seção 12 do Artigo xiii que foi aprovada pelos eleitores em 1998. Ela diz o seguinte: “Caça e pesca e o aproveitamento da caça e peixe são partes valiosas do nosso patrimônio que devem ser sempre preservadas para o povo e serão geridos por lei e regulamentação para o bem público” Para decidir se o significado do casamento é significativo o suficiente para emendar uma Constituição, podemos pesá-lo contra “a caça e a pesca”.
2. O reconhecimento do chamado casamento do mesmo sexo seria uma declaração social clara de que a maternidade ou a paternidade ou ambos são insignificantes para o bem público na educação dos filhos. Dois homens que adotam crianças não podem fornecer a maternidade. E duas mulheres que adotam crianças não podem fornecer a paternidade. Mas Deus ordenou desde o início que as crianças crescessem com um pai e uma mãe, e disse: “Honra a teu pai e a tua mãe” (Êxodo 20:12). Tragédias na vida muitas vezes tornam isso impossível. Mas pode valer a pena proibir por lei que se tomem ações para fazer dessa tragédia algo normal. Este é um fato a se considerar.
3. O casamento é a instituição mais fundamental entre os seres humanos. Sua origem está na mente de Deus, e seu início no início da criação da humanidade. Suas conexões com todos os outros setores da sociedade são inúmeras. Fingir que o casamento pode existir entre pessoas do mesmo sexo causará um efeito cascata de disfunção e destruição em todas as direções, sendo, hoje, a maioria delas imprevisível. E muitos daquelas que podem ser previstas são trágicas, especialmente para as crianças, que, desta forma, produzirão uma sociedade que não conseguimos imaginar neste momento.
4. Até agora, até onde sabemos, nenhuma sociedade na história do mundo já definiu o casamento como a união entre pessoas do mesmo sexo. É uma inovação espantosa e sem precedentes para nos guiar, exceto pelo conhecimento de que a injustiça destrói nações, e a celebração dela apressa a morte. (Deuteronômio 9:5; Provérbios 14:34; Romanos 1:24-32)

8. Não force a organização da igreja ou seus pastores ao ativismo político. Ore para que a igreja e seus ministros alimentem o rebanho de Deus com a palavra de Deus centralizada no evangelho de Cristo crucificado e ressurreto. Espere de seus pastores apontem você constantemente para Deus, para a Palavra e para a Cruz e não que eles reunão vocês atrás de candidatos políticos ou de iniciativas legislativas.

Por favor, tente entender isso: Quando eu avisar contra a politização da igreja, eu o faço não para diminuir o poder da igreja, mas para aumentá-lo. O impacto da igreja para a glória de Cristo e para o bem do mundo não aumenta quando ela muda suas prioridades da adoração de Deus, da conquista de almas, do cuidado pela fé e da geração de novas gerações de discípulos.
Se todo o conselho de Deus é pregado com poder a cada semana, os cristãos que são cidadãos do céu e cidadãos desta ordem democrática serão estimulados sobre como devem falar e agir para o bem comum. Quero servi-lo desta forma. E Jason Meyer** também.
Marvin Olasky expressou isso muito bem na revista WORLD desta semana:
Sábios pastores estimulam [os cristãos] a formarem associações fora da igreja e deixar a igreja para sua tarefa central, a partir da qual fluem tantas bênçãos. Esse padrão nos séculos 18 e 19 funcionou excepcionalmente bem. Pastores da Nova Inglaterra nos tempos coloniais pregaram e ensinaram o que a Bíblia dizia sobre a liberdade, e os Filhos da Liberdade – não um subconjunto de qualquer igreja em particular –, eventualmente patrocinaram a Festa do Chá no porto de Boston. Pastores pela América durante aqueles séculos pregaram sobre o combate bíblico à pobreza, e em cidade após cidade os cristãos formaram organizações, tais como (em Nova York) a Association for Improving the Condition of the Poor [Associação para Melhora da condição dos Pobres]. (WORLD, 16 de junho de 2012, 108)
Há muito mais a dizer e eu pretendo escrever mais a respeito no Blog Desiring God, esta semana, especialmente no que se refere às relações pessoais com pessoas que têm atração pelo mesmo sexo. Há mais esperança nesses relacionamentos do que você pode pensar. E eu gostaria de ajudar tantos quantos eu puder.
Por agora, lembre-se, vocês que confiam em Jesus, “mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (1 Coríntios 6:11). Maravilhe-se por você é salvo. E ofereça a salvação a todos.
* Cidade onde o Pr. John Piper reside e ministra.
** Pastor que substituirá John Piper como pastor responsável pela pregação e visão da igreja.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A missão integral da igreja

(fonte: http://www.batistapedraviva.org/index.php/estudosbiblicos/75-a-missao-integral-da-igreja.html)

Introdução:
Que é missão integral? O que envolve a missão da Igreja a ponto de investigarmos o que é mito e o que é realidade?
Na procura de respostas para estas e outras perguntas semelhantes é que este estudo veio a lume. Não é um trabalho original e nem exaustivo. Não é original porque missão integral já faz parte da discussão teológica da Igreja há algum tempo. Não é exaustivo porque o número de teólogos, missiólogos e pensadores que têm escrito e palestrado sobre a missão da Igreja, e em seus vários aspectos, é enorme. Um bom exemplo da diversidade da missão integral é o livro "A Missão da Igreja", organizado pelo Dr. Valdir Steuernagel em 1994. Nele, nada menos que 27 articulistas tratam da missão integral da Igreja. Mas existem muitos outros autores que não aparecem no livro de Steuernagel. Além disso, obras como as de René Padilla e Timóteo Carriker são dignas de nota, conforme observamos no capítulo sobre o conceito de missão integral da Igreja na teologia contemporânea. Por causa dessa variedade de autores foi preciso adotar alguns critérios, vez ou outra, mencionados no corpo deste trabalho.
Nosso estudo divide-se em três capítulos principais.
  • O primeiro trata da missão integral como mito e realidade propriamente dita.
  • Os outros dois são uma explanação bíblico-teológica e pragmática do primeiro.

Nosso objetivo é mostrar que a Igreja evangélica brasileira só pode ser verdadeiramente missionária quando no desempenho de sua missão integral.
I. O MITO E A REALIDADE DA
MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA

1.1. O mito da missão integral da Igreja
O que poderíamos denominar de mito ou mitos na missão integral da Igreja?
Após relativa pesquisa e análise cuidadosa deste assunto, chegamos à conclusão que dois pontos resumiriam bem o mito de missão integral da Igreja.
  • O primeiro deles estaria relacionado a um debate que perdura já algum tempo na igreja evangélica mundial e na brasileira em particular, a saber, a polarização entre evangelização e a responsabilidade social da Igreja.
  • O segundo mito estaria diretamente ligado à dicotomia humana, isto é, o ser humano considerado em partes separadas ao invés do todo.
Alguns fatores que possibilitaram o surgimento desses mitos é o que veremos, também, neste capítulo.
a. O mito da polarização teológica
Que evangelização e responsabilidade social são verdades bíblicas para a Igreja de Jesus Cristo não há dúvida, ou pelo menos não deveria haver (1). Felizmente, a consciência social da igreja brasileira hoje parece ser maior do que algumas décadas atrás. Entretanto, se por um lado a Igreja vem melhorando em sua visão social, por outro, ainda não amadureceu tanto em sua concepção de missão integral, justamente porque ao se discutir prioridades (estamos falando apenas de evangelização e ação social) a igreja deixa de fazer bem uma e outra coisa.
Evangelização e responsabilidade social devem andar juntas como causa e efeito de uma mesma verdade evangélica. Com isso não queremos dizer que evangelização e ação social devam ser entendidas como sendo a mesma coisa. Por outro lado, também não estamos afirmando que sejam duas coisas diametralmente separadas. "Um ministério integral verdadeiro define a evangelização e a ação social como funcionalmente separadas, mas relacionalmente inseparáveis e necessárias para um ministério integral da igreja" (YAMAMORI, 1998, p. 14).
O relatório da Consulta Internacional realizada em Grand Rapids (EUA), presidida por John Stott em 1982, concluiu que na questão da primazia entre evangelização e ação social "a evangelização tem certa prioridade. Não estamos falando em prioridade temporal, mas em prioridade lógica, pois há situações em que o ministério social precisa vir primeiro" (STOTT, 1983, p. 23).
E na prática?
Na prática, como aconteceu no ministério público de Jesus, estas duas realidades (evangelização e ação social) são inseparáveis, pelo menos nas sociedades livres, e raramente teremos de optar entre uma e outra. Em lugar de estarem em competição, elas se sustentam e fortalecem mutuamente, numa espiral ascendente de preocupação crescente (STOTT, 1983, p. 23)
A discussão pouco louvável no meio cristão sobre a missão prioritária da Igreja no mundo também levou o comitê de Lausanne a elaborar uma declaração sóbria e amadurecida. Diz assim, em seus artigos, o chamado Pacto de Lausanne: "Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo" (O PACTO DE LAUSANNE, 1983, IV). E ainda:
Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela reconciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade sociais mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são parte do nosso dever cristão. (Idem, V) (Grifos nossos)
E mais: "A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta" (Idem, V).
Evangelização e responsabilidade social são partes integrantes da missão Dei, portanto, inseparáveis e indispensáveis na missão integral da Igreja de Jesus Cristo no mundo e para o mundo (2).
Façamos, a seguir, uma rápida apresentação de dois grandes movimentos que contribuíram negativamente para o distanciamento da Igreja de sua missão integral.
O evangelho social e a teologia da libertação
A influência perniciosa e nefasta do liberalismo teológico do século XX, em particular das teologias do evangelho social e da libertação, foi um dos fatores que colaboraram para a polarização entre evangelização e a ação social no meio evangélico. O esforço de se combater a teologia do evangelho social e depois a teologia da libertação (por causa da ênfase social à parte do evangelho bíblico e de uma filosofia marxista, principalmente desta última), provocou um mal-estar na igreja brasileira. Resultado: No afã de se preservar o espiritual, a Igreja acabou se equivocando e não enxergou a mensagem social autêntica que o mesmo evangelho oferecia.
Se de um lado as teologias liberais mencionadas cometeram o pecado do social sem espiritualidade, a igreja evangélica brasileira, por outro lado, pecou na espiritualidade sem encarnação. Contudo, há de se admitir que, por sua vez, tanto o evangelho social quanto a teologia da libertação provocaram uma reação positiva na Igreja. A Igreja foi levada a refletir seus valores, dando uma reviravolta considerável nessa história toda. Hoje em dia, boa parte das igrejas brasileiras está envolvida em trabalhos sociais, e sem qualquer preocupação de ser rotulada e perseguida por isso, como ocorria em tempos atrás.
b. O mito da dicotomia humana
Ver o indivíduo completo, não dictomizado, é uma necessidade urgente em nossos dias, conforme veremos no decorrer deste estudo. Um dos maiores males cometidos na igreja evangélica brasileira de hoje é limitar o conceito de salvação, achando que Cristo veio salvar apenas a alma do homem ou da mulher.
O ser humano - homem ou mulher - é um todo e deveria sempre ser visto assim, como o é pela Bíblia. Partindo da perspectiva bíblica, o ser humano poderia ser definido como sendo 'uma comunidade integrada de corpo e alma' (STOTT, 1989, p. 38). Entretanto, a ausência da compreensão do indivíduo como ser integral, pela própria Igreja, tem levado a mesma a desvalorizar não somente o ser humano na sociedade, como também o próprio evangelho para o qual ela foi chamada a proclamar no mundo, pois, como salientou muito bem Manfred (1987, p. 59), "só existe fidelidade na evangelização quando existe fidelidade na missão integral da igreja".
Veremos a seguir que pelo menos três fatores contribuíram negativamente para o surgimento do mito da dicotomia humana, isto é, o platonismo, a influência missionária européia e norte-americana e a teologia sistemática.
A influência missionária e da teologia sistemática
Norman L. Geisler (1985, p. 154) observa que parte do descuido do "homem total" tem sua origem na ênfase platônica não-cristã sobre a dualidade do ser humano. "Esta ênfase foi dirigida pelos cristãos na Idade Média e tem sido transmitida para o presente". Em síntese o platonismo argumenta que o ser humano é essencialmente um ser espiritual e que apenas tem conexão funcional com um corpo que, na melhor das hipóteses, é um impedimento e, na pior, um grande mal. A correção deste erro está no ensino bíblico acerca da unidade essencial do ser humano.
Além da influência platônica, os missionários europeus e norte-americanos que aqui estiveram parece que não conseguiram passar adiante a idéia da missão integral. Nossa herança missionária é deveras espiritualista. O que é facilmente percebido nas mensagens bíblicas e hinos que os missionários nos legaram. Porém, isso não quer dizer que não houve qualquer tipo de envolvimento social, pelo contrário, a história da igreja brasileira registra dignos exemplos de missionários como Robert e Sarah Kalley, Ashbell Green Simonton e outros, que desempenharam um papel social muito grande em nosso país. Mas então, por que a igreja evangélica brasileira de modo geral não herdou a totalidade da visão desses bons exemplos de missionários, e durante tanto tempo vem caminhando lentamente na questão social? Pelo menos por três razões principais: Uma delas tratamos há pouco, isto é, a omissão da Igreja, até hoje sentida, por causa daquela reação ao evangelho social e à teologia da libertação. Outra razão é que a maioria dos missionários estrangeiros que aqui chegaram tendia para a corrente do evangelho individual (KRIEGER, In Teses, 1988, pp. 39,40). Isso explica, embora não justifique, é claro, nosso espiritualismo desencarnado no campo social; o que, de certa forma, contribuiu para a difusão do evangelho social e principalmente da teologia da libertação em nosso país. Uma terceira razão foi observada pelo missiólogo norte-americano Timóteo Carriker, quando diz que boa parte dos missionários europeus e norte-americanos que aqui estiveram "realizaram o trabalho, ora nobre e sacrifical, ora dominador e paternalista, mas, com raríssimas exceções, não transmitiam a mesma visão missionária para as igrejas autóctones. Assim, deixaram a impressão de que missões é coisa que o Brasil recebe e não que faz (CARRIKER, 1993, p. 55). (Grifo nosso) (3)
Outro fator que infelizmente tem colaborado para a dicotomia humana é a teologia sistemática, independente de sua linha confessional. Embora a teologia sistemática seja uma tentativa interessante de organizar em um ou mais compêndios conceitos e pensamentos religiosos variados, é preciso ter cautela com a mesma. Bruce A. DEMAREST, em seu artigo Teologia Sistemática (In EHTIC1990, p. 515), faz uma advertência importante:
Alguns consideram a teologia sistemática como um depósito eterno e inalterável de verdades divinas. Embora as Escrituras sejam invioláveis, novos entendimentos teológicos e reformulações são necessários a cada geração. Primeiro: porque à medida que a linguagem e as formas culturais mudam, o conjunto da verdade cristã deve ser vestido em roupagens contemporâneas a fim de permanecer inteligível; e segundo: porque novas questões e problemas continuam a surgir para desafiar a igreja. Por isso, de tempos em tempos, o texto bíblico precisa ser reinterpretado e reaplicado ao contexto moderno.
No estudo da natureza do ser humano na teologia sistemática, na análise da questão corpo, alma e/ou espírito, e em seus conceitos dicotômicos e tricotômicos, perdeu-se de vista a perspectiva bíblica de que somos um todo. E, certamente, isto tem sido um dos fatores prejudiciais na compreensão da missão da Igreja.
1.2. A realidade da missão integral da Igreja
Em contrapartida ao mito da teologia de missão integral da Igreja destaca-se dois fatores que, em nossa opinião, expressam bem a realidade dessa missão.
a. A missão da Igreja é holística e diaconal
Por mais óbvia que pareça esta afirmação, sabemos que a ortopraxia da missão integral não é tão óbvia como deveria ser. Não é fácil inculcar na cabeça do nosso povo que o envolvimento da Igreja deve ser total. Não só no que se refere ao indivíduo, mas também à criação de Deus em geral. Onde está, por exemplo, a consciência ecológica da Igreja? (4)
Além disso, a Igreja como sal da terra e luz do mundo deve fazer a diferença nos vários setores da sociedade, principalmente no socorro aos menos favorecidos.
A injustiça social, verdadeira afronta contra a imagem e semelhança de Deus, tem solapado nosso país e a Igreja muitas vezes tem se afastado como se nada tivesse com isso. É verdade que a Igreja não é uma instituição político-partidária que deva defender qualquer bandeira política. É mais que isso. Ela é uma instituição divina suprapartidária. Por isso mesmo, tem o dever ético e moral de ser mais justa do que qualquer governo ou partido político pretenda ser. Conforme salientou Jorge GOULART (1941, p. 229), a Igreja "não prega uma forma de governo, mas cria uma consciência democrática, à luz dos conceitos de liberdade, de dignidade humana, de respeito ao próximo e, sobretudo, de amor a Deus e à humanidade".
Os cristãos foram postos no mundo para ser a consciência da sociedade, como diria Orlando COSTAS (1979, p. 102). A Igreja deve ser a voz do que clama no deserto a fim de fazer a diferença no mundo. Precisa deixar o monte da transfiguração (entenda-se contemplação) e descer até ao sopé onde se encontram os excluídos. Uma opção preferencial pelos pobres? E por que não? O evangelho é para todos, porém, somente o pobre precisa ser atendido também em suas necessidades básicas prioritárias, por causa da má distribuição de renda de nosso país, como resultado de uma política social opressora.
Quando se coloca o pobre e o rico lado a lado, em se tratando de benefícios a ser recebido, o primeiro sempre sai perdendo. É preciso sim que os pobres desse mundo recebam um tratamento preferencial porque foi assim que Deus os tratou na Bíblia, como veremos mais adiante.
Orlando Costas via nesta dimensão diaconal ou encarnacional da Igreja "a intensidade de serviço que a igreja presta ao mundo, como prova concreta do amor de Deus" (COSTAS, 1994, p. 113). E ainda:
Esta dimensão envolve o impacto que o ministério reconciliador da igreja exerce sobre o mundo, o seu grau de participação na vida, conflitos, temores e esperanças da sociedade e à medida que seu serviço ajuda a aliviar a dor humana e a transformar as condições sociais que têm condenado milhões de homens, mulheres e crianças à pobreza. Sem esta dimensão a igreja perde sua autenticidade e credibilidade, pois somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela pode esperar ser ouvida e respeitada. (COSTAS, 1994, pp. 113,4).
b. A missão da Igreja é bíblica
Quando dizemos que a missão integral da Igreja é bíblica, significa que ela (a missão integral da Igreja) não é uma filosofia cega ou um modismo passageiro. A missão da Igreja não é filosofia e muito menos modismo. É uma verdade bíblica que precisa ser resgatada e praticada em sua totalidade. A Bíblia não existe para o deleite de nossa mente carnal. A Bíblia não incentiva nenhum blá-blá-blá teórico desinteressado. A Bíblia é doutrina e prática. A opção por apenas um desses seus aspectos (doutrina ou prática) causará profunda ojeriza em Deus. Sua Palavra é um todo, como um todo deve ser a missão integral de Sua Igreja.
A integralidade da Igreja é bíblica e se baseia na missão integral de Deus. A missão integral da Igreja é ampla, assim como é ampla a missão integral de Deus, visto que a dimensão dessa missão é vertical e horizontal. O compromisso da Igreja com Deus (vertical) resulta nela um compromisso com a criação em geral e com o ser humano em particular (horizontal). Não é por acaso que GRELLERT (1987, p. 22) resumiu a missão integral da Igreja em "comunhão, adoração, edificação, evangelismo e serviço".
No capítulo 2 desse estudo falaremos um pouco mais sobre a base bíblica da missão integral da Igreja.
II. A BASE BÍBLICA E TEOLÓGICA DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA
2.1. A missão integral na Bíblia
A missão integral tem raízes bíblicas profundas. Tetsunao YAMAMORI (1998, p. 15) salienta:
Tanto no Antigo como no Novo Testamento a Bíblia ordena à igreja que ministre à pessoa como um todo. Isto quer dizer que se deve atender tanto às necessidades físicas como às espirituais, que estão inseparavelmente relacionadas, ainda que sejam separadas em termos funcionais.
No capítulo anterior mencionamos que a missão integral da Igreja é ampla. Isso é verdade. Por isso mesmo nosso objetivo agora será tratar, à luz da Bíblia, apenas de um dos aspectos da missão integral, isto é, aquele que está diretamente relacionado à pessoa do indivíduo ou, mais especificamente, aos pobres deste mundo. "Nada é mais claro na Bíblia do que ser Deus o campeão dos pobres, dos oprimidos e dos explorados". (BRYANT, 1988, p. 56).
Segue abaixo uma abordagem resumida sobre o assunto.
a. No Antigo Testamento
Se folhearmos as páginas do Antigo Testamento verá que existe uma clara opção preferencial de Deus pelos pobres e oprimidos. Isto não significa que Deus faça acepção de pessoas ou de classe social. De modo algum! Mas com certeza Ele olha de maneira especial para aqueles que não têm vez, que não têm voz. Só no AT nós temos 300 referências sobre causas, realidade e conseqüências da pobreza. Vinte e cinco palavras hebraicas para falar do oprimido, do humilhado, do desesperado, do que clama por justiça, do fraco, do desamparado, do destituído, do carente, o pobre, a viúva, o órfão, o estrangeiro. Em Isaías 58.3-8, quando o povo de Deus pergunta: "Por que é que nós oramos e jejuamos e tu não nos respondes?", Deus diz: "É porque vocês jejuam e oram para a iniqüidade, vocês estão oprimindo os pobres, e seus próprios operários, e o jejum que eu quero, é que vocês cortem as ligaduras da impiedade, é que ajam com justiça em relação aos desamparados". Veja também Isaías 1.17; 10.1,2.
Ezequiel 16.49 afirma que o pecado de Sodoma, além do orgulho, da vaidade e da imoralidade era que aquela cidade, sendo rica e abastada, nunca atendeu o pobre e o necessitado. Se olharmos na legislação do povo de Deus no Velho Testamento, veremos que o objetivo de toda a legislação era que não houvesse miseráveis e injustiçados no meio do povo de Israel.
b. No Novo Testamento
Jesus Cristo é a revelação máxima da missão integral de Deus no mundo. No início de seu ministério terreno o Senhor Jesus deixou bem clara a sua missão quando declarou: "O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para por em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor" (Lc 4.18,19). O cuidado de Jesus com os pobres e marginalizados é enorme. "Nós nunca encontramos Jesus Cristo de dedo apontado contra os pobres e marginalizados, mas enfrentando exatamente aqueles que oprimiam o povo, quer pelo sistema religioso, quer pelo sistema econômico, ou sistema político de sua própria época". (MACEDO FILHO, 1988, p. 35).
Em Mateus 4.23 lemos também: "Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo". E ainda em Mateus (cap. 25) notamos que além da questão do se "fazer igualmente a Cristo", a nossa atitude para com os desfavorecidos deste mundo será um critério importante de julgamento no Juízo Final.
Os apóstolos deram continuidade ao tema da missão integral de Jesus em seus ministérios. Veja por exemplo Atos 5 e 6.
Em Jerusalém as três colunas do colégio apostólico (Pedro, Tiago e João) recomendaram a Paulo e a Barnabé que não se esquecessem dos pobres, "o que também me esforcei por fazer", diz o apóstolo em Gálatas 2.10.
Várias igrejas foram orientadas por cartas a agirem com a mesma visão de integralidade bíblica dos apóstolos. Destacamos, dentre outras, as igrejas de Corinto (II Co 8 e 9), da Gálata (Gl 6.2-10) e das doze tribos da dispersão (Tg 2. 1-7, 14-26; 5.1-6).
2.2. A missão integral na teologia contemporânea
O número de teólogos que escreveram e escrevem sobre a missão integral da Igreja não é pequeno. Um bom exemplo disso é a obra do Dr. Valdir Steuernagel em que ele reúne nada menos que 27 autores. Falar do trabalho de cada um desses autores, sem considerar outro tanto que Steuernagel não menciona, seria simplesmente impossível para as dimensões do nosso trabalho. Estou tomando, então, a liberdade de selecionar apenas dois deles, a saber, Timóteo Carriker e René Padilla, e explico por que. Em primeiro lugar, nossos dois teólogos são duas das maiores autoridades mundiais sobre a missão integral da Igreja. Em segundo lugar, cada um deles escreveu um livro com o mesmo título (Missão Integral) com cerca de 300 páginas cada. Em terceiro lugar, vale à pena conferir a ênfase e a abordagem distintas que ambos conferem em seus respectivos livros acerca da missão integral da Igreja.
a. O conceito de Timóteo Carriker
O livro de Timóteo Carriker é uma teologia bíblica de missões. Seu objetivo é ressaltar as diversas dimensões, na palavra de Deus, da identidade e tarefa missionárias do povo de Deus (1992, p. 11). A seguir exporemos alguns dos principais conceitos da missão integral de Carriker.
No Antigo Testamento Javé é o Deus soberano sobre toda a sua criação. Esta imagem de Deus está no coração do Novo Testamento também. Um Deus soberano e misericordioso é o ator último das parábolas de Jesus. É este Deus salvador que alcança além das leis judaicas. Sua aproximação do homem exige a atitude de conversão. O seu reino tem um escopo universal até cósmico. Os marginalizados, mulheres, samaritanos, e gentios recebem a misericórdia de Deus.
Deus tem um plano salvífico que alcança tanto judeu quanto gentio, e Ele vai cumpri-lo. A confiança no cumprimento do seu plano dá a igreja motivação para perseverar até o fim.
A igreja, contudo, não fica passiva em relação à soberania de Deus. Reconhecer que a missão é essencialmente de Deus, missio Dei, não significa que a participação da igreja na evangelização mundial tem pouca significância. Muito pelo contrário, a missio Dei exige os missiones eclesiae. São praticamente dois lados da mesma moeda.
O Deus da Bíblia é o Deus que age na história. Não é principalmente apresentado como um conceito ou idéia, uma doutrina que podemos elaborar. Ele é, acima de tudo, pessoal e age nos eventos e experiências concretas das nossas vidas. Deus não se restringe a uma dimensão mística da nossa vida. Atua através do êxodo, do dilúvio e do cativeiro no Velho Testamento, todos os eventos históricos até "seculares". Ele atua através da vida humana do seu filho Jesus, através da sua morte e ressurreição, eventos bem visíveis que fazem parte da nossa história.
É na nossa história humana que Deus se revela e o faz com movimento para frente. Percebemos, através da história, a sua conclusão. Assim, a perspectiva cristã da história é essencialmente escatológica. A humanidade está indo na direção do cumprimento, julgamento e salvação, e este movimento entrou na sua fase final com a ressurreição de Cristo. Hoje é o dia da salvação.
b. O conceito de René Padilla
A abordagem de René Padilla é mais teológica e menos bíblica. Por "mais teológica" queremos dizer que os argumentos de Padilla estão mais na área das idéias, o que não diminui, de modo algum, o valor da obra dele. Por "menos bíblica" queremos afirmar que o livro de Padilla não é uma teologia bíblica nos moldes do livro de Timóteo Carriker, porém, seus princípios são eminentemente bíblicos. Apesar de não termos o objetivo de comparar os dois autores, vale ressaltar que as aplicações de Padilla são mais contextualizadas que as de Carriker.
Padilla desenvolve seu tratado em termos de desafios. Diz ele que o maior desafio que a igreja enfrenta atualmente é o desafio da missão integral (1992, p. 139).
O desafio da missão integral, por sua vez, subdivide-se em outros três, a saber: O desafio da evangelização e do discipulado, o desafio da colaboração e da unidade e o desafio do desenvolvimento e da justiça. Seus argumentos principais são os seguintes:
Um conceito um tanto romântico da obra missionária impulsionou as missões a concentrarem seu esforço em pequenas tribos nas selvas, esquecendo-se das cidades. A "explosão urbana" é um fenômeno mundial. A missão urbana, portanto, é uma prioridade em todas as partes. Lá, na cidade, com todo seu poder desumanizante, vê-se com clareza a necessidade de um evangelho com poder para transformar a totalidade da vida. Num mundo que está se urbanizando rapidamente, a cidade é, sem dúvida, o símbolo do desafio que a evangelização e o discipulado colocam para a igreja.
Porque há um mundo, uma igreja e um evangelho, a missão cristã não pode ser outra coisa que missão realizada em colaboração mútua. Chegou o momento de encontrar maneiras de reduzir a distância entre as igrejas no Ocidente e no Terceiro Mundo. Já há experiências úteis que estão sendo levadas a cabo com este propósito, mas é necessário fazer muito mais para desenvolver modelos de solidariedade acima das barreiras políticas, econômicas, sociais e culturais, e para estimular a colaboração mútua entre as igrejas.
O desafio que a igreja encara no campo de desenvolvimento hoje é fundamentalmente o desafio de um desenvolvimento humano, no contexto da justiça. Fazem falta modelo de missão plenamente adaptados a uma situação marcada por uma distância abismal entre ricos e pobres. Os modelos de missão baseados na riqueza do Ocidente solidarizam-se com esta situação de injustiça e condenam as igrejas do mundo pobre a uma permanente dependência. No final das contas, portanto, são contraproducentes para a missão.
O desafio tanto para os cristãos no Ocidente como para os cristãos nos países subdesenvolvidos é criar modelos de missão centrada num estilo de vida profética, modelos que apontem para Jesus Cristo como Senhor da totalidade da vida, à universalidade da igreja e à interdependência dos seres humanos no mundo.
III. OS DESAFIOS E IMPLICAÇÕES DA MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA
3.1. Desafios da missão integral da Igreja
Observamos no capítulo anterior que René Padilla apresenta a missão integral da Igreja em termos de desafios. Entretanto, sua abordagem é ampla, no sentido de envolver a missão da Igreja num âmbito mundial ou, no mínimo, na América Latina. Os desafios que agora mencionaremos tratam da igreja brasileira em solo brasileiro. Dividimo-nos em duas partes distintas, isto é, os desafios sociais e os desafios eclesiais.
a. Os desafios sociais da Igreja
Não são poucos e nem pequenos os problemas sociais brasileiros. A igreja evangélica brasileira tem desafios enormes nesta área. Porém, de início é preciso que encaremos com seriedade e maturidade o dilema de até onde podemos e devemos nos envolver nestes desafios. Que a igreja evangélica brasileira não deve se esquivar de sua missão integral é o nosso comum acordo com a declaração de Lausanne:
Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que evangelização e o envolvimento sócio-político são ambas as parte do nosso dever cristão.
É preciso sim que a Igreja seja a consciência da sociedade e a voz profética que denuncia os desmandos desta mesma sociedade. Não devemos como Igreja de Cristo, partir para a ignorância e violência, mas podemos e devemos fazer confrontações sociais sérias. Confrontação não é violência. Robert C. Linthicum (1996, pp. 171,2) explica:
Há muita confusão sobre a natureza da confrontação e da violência. Confrontação é simplesmente a atividade entre seres humanos na qual eles discordam, e devido a esta discordância, estão desafiando uns aos outros. A palavra significa literalmente "testa-a-testa" - isto é, as testas colocadas fisicamente uma contra-a-outra. É um encontro face a face, direto, procurando o fim da resolução.
Por outro lado, violência é o exercício da força física, a fim de ganhar uma disputa. Enquanto a confrontação é verbal, a violência é física. De uma forma mais profunda, essas palavras não são sinônimas, e sim antônimas, pois, em sua própria natureza, um ato de violência é a indicação de que a confrontação falhou. A confrontação boa e eficaz nunca deve levar à violência, mas à resolução do problema.
É nesse espírito de verdadeira confrontação que a Igreja deve encarar seus desafios sociais, com propostas terapêuticas para uma sociedade enferma. Portanto, empenhemo-nos pela dignidade do povo brasileiro. Reivindiquemos, pois, os seus e os nossos direitos: Saúde, segurança, educação, trabalho e salário digno.
E até onde podemos e devemos ir nesta questão toda? Até onde os direitos sejam verdadeiramente assegurados, o amor ao próximo evidenciado, a moral dignificada, o evangelho e o bom testemunho não sejam prejudicados e, sobretudo, o nome de Jesus seja glorificado.
O governo tem (e como tem!) suas culpas e responsabilidades, mas não podemos ficar indiferentes ao que ocorre em nossa volta, simplesmente criticando por criticar o governo. Pesa (e como pesa!) sobre o povo de Deus também a responsabilidade pelo bem-estar social do nosso país.
b. Os desafios eclesiais da Igreja
Certamente um dos maiores desafios da igreja brasileira na atualidade é vencer seus próprios desafios. Tentarei explicar esta minha tese.
Os desafios sociais da igreja brasileira não são combatidos e vencidos como deveriam porque falta vontade eclesiástica por parte da mesma. Ou porque a liderança não se empenha, ou porque os liderados não se envolvem na obra. O certo é: Se não chegarmos a um consenso; se não juntarmos forças, jamais sairemos do lugar comum. Continuaremos marcando passo, salgando a nós mesmos e iluminando nossos umbigos.
Uma lição é preciso aprender com a igreja de Jerusalém. A igreja de Jerusalém estava consciente de sua missão no mundo. Era uma igreja unida em seus propósitos e se amava de verdade. Internamente ela estava pegando fogo, desejosa de pregar o evangelho, em obediência ao mandado de Cristo. Porém, externamente os desafios eram humanamente insuperáveis. Pilatos, Herodes e muita gente se levantaram contra a Igreja de Deus. Então a Igreja orou: "agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes as mãos para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus" (At 4.29,30).
E Deus atendeu ao clamor de sua Igreja (At 4.31). Atendeu porque a Igreja deixou de lado seus próprios interesses para servir ao mundo. Hoje, o que muito se vê, no nível de igreja local, é a própria igreja criando obstáculos para não fazer a obra do Senhor. Externamente desfruta-se de uma liberdade religiosa como nunca se viu, mas internamente muito de nossas igrejas estão enfermas, quando na verdade eram elas que deveriam estar curando!
A seguir daremos duas sugestões práticas para que esse quadro sombrio possa se reverter.
3.2. Implicações da missão integral da Igreja
As implicações que aqui abordaremos não deixam de ser verdadeiros desafios para a igreja brasileira, porém, entendemos que estes desafios são implicações naturais para uma igreja que queira verdadeiramente cumprir sua missão integral.
a. A revisão de estruturas não-funcionais
O que muito tem contribuído para um mau desempenho da Igreja em sua missão integral é a falta de estruturas que funcionem. Estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo matam ou impedem a visão de uma igreja.
A quebra de paradigmas é uma das coisas fundamentais para que a estrutura de uma igreja se torne funcional. Às vezes é preciso muita coragem para mudar certos parâmetros que já não funcionam mais. À primeira vista parece fácil mudar aquilo que se tornou obsoleto, mas não é tão simples assim. Antes é preciso mudar a mentalidade dos acomodados e principalmente dos saudosistas, daqueles que confundem inovação com inovacionismo, tradição com tradicionalismo. O que está "matando" muito crente novo (e velho também) é a igreja não-funcional, que se limita a suas atividades internas, fechada em quatro paredes.
Contudo, por uma questão de prudência e respeito àqueles que não pensam como nós, é preciso que os paradigmas sejam quebrados aos poucos. As idéias devem ser amadurecidas no meio da comunidade, sem atropelos, mas progressivamente.
Uma coisa aprendi em meus poucos anos de ministério pastoral: Se a igreja não comprar a nossa idéia, não será por meio de decreto conciliar que conseguiremos qualquer êxito. Um diálogo franco, aberto e amigável é a chave do sucesso.
b. A reafirmação do compromisso missionário
Aquelas igrejas que um dia receberam orientação missionária, se não forem constantemente lembradas daquele compromisso, rapidamente minguarão.
E como revitalizar uma igreja que começou com tanto entusiasmo por missões e de repente esfriou? Em primeiro lugar é preciso reconscientizar a igreja de sua missão no mundo. Em segundo lugar é preciso conscientizá-la de que ela está no mundo para servir o mundo integralmente.
Se a igreja chegou a se empolgar com missão algum dia, é sinal que ela tem potencial para fazer, com a graça de Deus, o que fez antes. Sermões e estudos bíblicos missionários, filmes específicos como As Primícias, Etal e Atrás do Sol, além do auxílio de uma boa agência ou junta missionária, com certeza produzirão novo alento. Geralmente a frieza por missões acontece por causa da rotina. Uma vez que o mal foi detectado é necessário que seja combatido com atividades variadas.
O mais importante é que a igreja seja cientificada de que sua missão no mundo é integral. Evangelizar não é simplesmente distribuir folhetos como alguns pensam, mas sim, atender o indivíduo na totalidade de suas necessidades. Por isso mesmo, a Igreja nunca deveria deixar se levar pela prática do paternalismo e assistencialismo paliativos, porém, deveria partir sempre para uma ação social transformadora, do indivíduo e da sociedade, para a honra e glória de Deus Pai.
Cada igreja deve refletir sobre sua motivação em praticar evangelismo e ação social, e todas as atividades nestas direções devem estar debaixo do serviço a Deus em primeiro lugar (A. C. BARRO, sem data, p. 5). O ponto de partida é o parâmetro bíblico e o contexto da igreja local.
Conclusão:
A missão integral da Igreja é basicamente evangelização e ação social. Dizemos "basicamente" porque a missão integral da Igreja é na verdade universal. Abrange vários aspectos. Evangelizar é a sua qualidade primordial. A Igreja que troca a evangelização por qualquer outra responsabilidade social está fora de propósito e, portanto, descaracterizada como igreja de Jesus Cristo. Por outro lado, que nenhuma igreja pense ser mais espiritual porque optou pela evangelização. Concordamos que uma igreja possa fazer uma opção temporária entre evangelizar e assistir ao necessitado, mas nunca uma opção permanente. A verdadeira espiritualidade do povo de Deus se expressa em sua integralidade. A mesma igreja que proclama as boas novas do reino deve ser a mesma que estende a mão ao necessitado.
Missão integral é uma realidade bíblica. Os mitos não fazem sentido quando são resultados baratos de um reducionismo evangélico, polarização entre evangelização e ação social, e quando se deixa de contemplar o indivíduo em sua totalidade. Os mitos (pelo menos os que aqui estudamos) deturpam a missão integral da Igreja.
Se quisermos atentar para o ensino bíblico, então devemos almejar por uma igreja brasileira autêntica, que não seja ela mesma um mito, mas a realidade bíblica de uma missão integral em nossa sociedade.
Rev Josivaldo de França Pereira

domingo, 8 de julho de 2012

PROFETAS E PROFECIAS

(fonte: http://www.vivos.com.br/169.htm)


1- Profecia e Profeta:

A palavra profecia (oráculo)
:

 em Pv 30.1 segundo algumas versões, representa a palavra hebraica massa, que propriamente significa “oráculo”; e o nome profeta, em Is 30.10, representa a palavra hebraica chozeh, que propriamente significa “vidente”, e refere-se àqueles que vêem visões. Mas sempre, em qualquer outro lugar no A.T., a “profe­cia” é a tradução de nebu’a; e “profeta” a de nabi. Não é certa a significação original da raiz (NB). A raiz (NB) significa ferver em cachão, e nabi, portanto, supõe-se querer dizer aquele que ferve com a inspiração ou com a mensagem divina. Todavia, é mais provável que nabi esteja em conexão com uma raiz assíria ou árabe, que significa proferir, anunciar uma mensagem. Neste caso o nabi é considerado o orador, a quem foi confiada uma missão. Isto está em conformidade como que se lê em Ëx 7.1: “Então disse o Senhor a Moisés: Vê que te constituí como deus sobre Faraó, e Arão, teu irmão, será teu profeta.” Por isso é provável que o nome “profeta”, como é empregado na Bíblia, signifique aquele que fala como acreditado mensageiro do Altíssimo Deus. Deve-se observar que no termo, de que se trata, não há coisa alguma que implique previsão de acontecimentos. Pode um profeta predizer, ou não, o futuro segundo a mensagem que Deus lhe der. Deste modo a palavra grega prophetes, que se acha na versão dos Setenta, e no N.T., significa aquele que “expõe, fala sobre certo assunto”. Os substantivos abstratos nebu’a e propheteie (“profecia”) têm uma significação correspondente.

2- O estado dos profetas ao receberem a sua mensagem.

E importantíssima ter uma noção certa das condições espirituais do profeta, afim de que possamos penetrar os segredos da comunicação do homem com Deus. A concepção pagã da profecia era a de uma condição absolutamente passiva no profeta, de modo que, quanto mais inconsciente se mostrava, mais apto estava para receber a mensagem divina. Alguma coisa deste gênero se pode ver na histeria do povo israelita. Aquelas danças sagradas dos profetas de Baal, durante as quais eles batiam em si furiosamente, cortando-se com canivetes, para que pudessem receber um sinal visível de aprovação divina, eram, na realidade, uma manifestação típica (1 Rs 18.26 a 28); e é provável que em tempos posteriores os falsos profetas tomassem disposições semelhantes, com o fim de provocarem em si próprios o estado de êxtase para as suas arengas. Mas a idéia pagã de profecia se apresenta dum modo muito claro em Balaão. A sua vontade e os seus próprios pensamentos são vencidos pela inspiração divina, proclamando ele a mensagem celestial, contrariamente aos seus particulares desejos (Nm 22 a 24).

No tempo de Samuel já se vê o principio de melhor sistema. Ele reunia em comunidades aqueles que parecia terem dons especiais da profecia, disciplinando-os, ensinando-lhes a música, e, segundo parece, ministrando-lhes conhecimentos da história e religião, para que pudessem estar nas melhores condições de receber as palavras de Deus (1 Sm 10.10 a 13; 19.18 a 20). A respeito da música pode-se compreender que era para aquietar a alma, e prepará-la para as comunicações com Deus (1 Sm 16. 14 a 23; 2 Rs 3.15). Quanto a serem estas escritas ou não pelo profeta, isso dependia do caráter particular de cada alocução.

Essas profecias, devemos dizê-lo, são inteiramente apostas ás produzidas no estado de mero êxtase. São escritas com grande escolha de palavras e frases, revelando a vida anterior dos profetas, os seus interesses e ocupações, e apresentando em vários graus a cultura e as circunstâncias do tempo em que cada profecia foi revelada. As profecias de Amós. de Miquéias, de Isaias, e de Jeremias, por exemplo, estão muito longe das de Balaão, tanto na visão espiritual como nos conscientes pensamentos e deliberado estudo. Os profetas tinham aprendido que Deus Se servia das próprias faculdades e aptidões deles como instrumento das Suas revelações.

Na verdade, querendo formar a mais alta concepção do estado do profeta, na recepção das comunicações divinas, temos esse ideal em Jesus Cristo, que estava em comunhão com o Seu Pai, e anunciava aos homens o que dele ouvia (Jo 8.26 a 40; 15.15; 17.8). Em Jesus não havia o estado de êxtase, mas manifestava-se uma clara comunicação espiritual, tendo a Sua alma um grandioso poder receptivo e ativo. Na proporção em que os profetas alcançavam este dom maravilhoso de profecia, podiam eles receber e transmitir perfeitamente a mensagem divina.

3- A função dos profetas.

Examinando as suas palavras num sentido mais lato, e tomando no seu todo a obra dos profetas, observamos que uma das suas mais importantes funções era a interpretação dos fatos passados e presentes. Estudando eles os acontecimentos na presença de Deus, puderam vê-los na sua luz divina, e compreendê-los assim no seu verdadeiro as­pecto e significação. Por isso os profetas não eram, realmente, historiadores (como o escritor dos livros dos Reis), mas foram algumas vezes políticos ativos bem como diretores religiosos. Entre estes podemos admitir não somente Isaias e Jeremias, mas também Eliseu, visto como este mandou um dos filhos dos pro­etas ungir Jeú. efetuando deste modo a destruição da dinastia de Onri, culpada de prestar culto a Baal (2 Rs 9). Além disso, o fato de eles perceberem a significação dos acontecimentos passados e presentes, habilitava-os a conhecer os resultados da vida pessoal e nacional, e a proclamar princípios que tinham um alcance muito mais largo, de muito maior extensão, do que o que eles podiam imaginar. E, deste modo, quando as mesmas forças operavam em tempos e lugares muitíssimo distantes dos contemplados pelos próprios profetas, as suas palavras de aviso e conforto achavam cumprimento, não talvez uma vez somente, mas em diversas ocasiões. E a este poder, inerente a uma previsão verdadeiramente inspirada, que São Pedro provavelmente se refere, quando escreveu (2 Pe 1.20): “nenhuma profecia da Escritura é de particular elucidação”, querendo dizer que o seu significado e referência não devem limitar-se a qualquer acontecimento no tempo.

4- O valor das profecias:  

a) Os sacerdotes tratavam de coisas rituais, ou melhor, das ora­ções litúrgicas e dos cânticos sagrados. Nos profetas havia vistas mais largas, e uma realização mais completa da vontade de Deus na vida diária, tanto particular como nacional. Se quisermos, talvez, dizer em poucas palavras qual o efeito dos ensinamentos dos profetas sobre os seus contemporâneos, quer se trate de pessoas, quer de nações, afirmaremos que eras esperança o forte sentimento que consolava a alma israelita, apesar dum passado manchado pelo pecado, e dum presente sob a ameaça do castigo. Todavia, superior a tudo, estava Deus realizando o Seu plano de misericórdia e bênçãos. Nenhuma religião, fora do Judaísmo, podia mostrar nos seus ensinamentos tais princípios de consoladora expectativa. E eis aqui um dos grandes segredos que explicam o grande êxito que só a religião de Israel alcançou.

b) Se os contemporâneos dos profetas muito ganharam, ou estiveram na situação de ganhar com a obra dos profetas, maior proveito disso devemos nos ainda tirar. Porquanto estamos agora preparados para ver bem o efeito das suas doutrinas e predições, e considerar as verdades eternas, em que eles depositavam completa confiança. Dum modo particular, certamente, podemos apreciar até certo grau as suas exposições acerca do grande Personagem, por meio do qual havia de vir a redenção de Israel. Não é o nosso fim neste artigo enumerar as várias profecias com relação a Cristo. A maioria delas é bem conhecida. Basta dizer-se que, embora os profetas não alcançassem bem o inteiro sentido das suas próprias palavras, esperavam, contudo, um Ente que havia de ser idealmente perfeito, na sua qualidade de Rei para governar, de Profeta para ensinar, e de Sacerdote para reconciliar; que havia de ser homem, e mais do que homem, pois seria Ele mesmo Deus; e que havia de sofrer até á morte, reinando, contudo, para sempre na Glória.

5- Profecia e profetas do Novo Testamento:

Houve uma pausa: por espaço de trezentos anos não tinha Deus falado aos homens. Mas no fim desse tempo, João, filho de Zacarias, cognominado o Batista, que foi “profeta”, e “mais de que profeta” (Mt 11.9), apareceu, revelando às multidões a vontade de Deus a respeito delas, e dizendo-lhes que estava chegado o tempo em que as profecias sobre a vinda do Libertador deviam ser cumpridas. E chegou esse tempo do Profeta ideal, em quem tiveram realização, no maior grau. as palavras de Moisés (Dt 18.18; At 3.22), revelando Ele nos Seus atos e palavras o Espírito do Pai celestial. E compreende-se que a atividade profética não tivesse a sua paragem em Jesus Cristo, continuando duma maneira nova, depois que o Espírito Santo foi derramado no dia de Pentecoste. Então, as palavras de Joel receberam parte do seu cumprimento: “vossos filhos e as vossas filhas profetizarão” (Jl 2.28; At 2.17); e mais uma vez se acostumaram os crentes a ouvir os profetas, que se lhes dirigiam em nome do Se­nhor. Entre estes são mencionados: Ágabo e outros, vindos de Jerusalém (At 11.27,28; 21.10); profetas em Antioquia (At 13.1); Judas e Silas (At 15.32); as quatro filhas de Filipe, o evangelista (At 21.9). S. Paulo também se refere a profetas cristãos em 1 Co 12.28 e seguintes: 14.29,32,37; Ef 3.5 e 4.11, compreendendo nós, por essas passagens, que esses obreiros, tomando parte proeminente nas reuniões cristãs, nos cultos, eram algumas vezes inclinados a pensar que não podiam restringir o ímpeto da fala. O autor do Apocalipse também se refere freqüentes vezes aos profetas cristãos, que são considerados como seus irmãos (Ap 22.9; vede também 10.7; 11.10-18; 16.6; 18.20-24; 22.6).
Fonte: D. Bíblico Universal

sábado, 7 de julho de 2012

O QUE VEM PRIMEIRO: A ESCRITURA OU A PALAVRA?

Não é de estranhar que o pai da fé, Abraão, tenha vivido pela fé na Palavra antes de haver Escritura, mostrando-nos, assim, que a Palavra precede a Escritura. 

A fé vem pelo ouvir-escutar-crer-render-se à Palavra. 

E a pregação só é Palavra se o Espírito estiver soprando. 

Do contrário, é só prega-ação! 

E a pregação que não é Palavra é apenas estudo bíblico, podendo gerar mais doença que libertação. 

A grande tentação é fazer a Escritura se passar por Palavra. 

As Escrituras se iluminam como a Palavra somente quando aquele que a busca tem como motivação o encontro com a Palavra de Deus. 

Ou, então, quando o Deus da Palavra fala antes ao coração! 

A Bíblia é o Livro. 

A Escritura é o Texto. 

A Palavra É!  E é Revelação!

Jesus é o Verbo Encarnado!

É o Espírito quem revela Jesus como a Palavra e a Palavra em Jesus.


Caio

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Hernandes Dias Lopes - É Possível um Crente Fiel Viver sem Orar?


Calvinismo x Arminisnismo

Não quero puxar a brasa para nenhum lado da sardinha, deixo a briga para os "cachorros grandes", tire as suas conclusões!